DEIZA MARIA / JAIRTON JURINICH

DEIZA MARIA







Marcas da minha existência!


Existo no sangue Que corre nas minhas veias... Uma vez já derramado Com tanta intensidade Deixando meu lençol manchado!
Existo no brilho do meu olhar, No sorriso que exponho, No rosto sem maquiagem, Nos cabelos que cobrem meus ombros, Na boca delineada e desejada!
Existo num corpo de mulher Às vezes meio frágil, Às vezes cheio de energia, Às vezes muito amado, Às vezes cansado e esquecido!
Existo no perfume que banha meu corpo, Nas mãos que afagam seu rosto, No abraço amigo, No batom deixado na sua camisa!
Existo numa mente fértil Que dela nascem ideias, As quais me tornam livre E me fazem ser diferente, Embora nem sempre acolhida!
Existo no chão onde piso, Mesmo sem ser a calçada da fama, Mas me considero uma estrela Colocada no céu para brilhar e ter vida!
Existo na minha poesia Que me imortaliza!




  • Tu dizes que "escrevo a vida"...


    Se escrevo a vida, 
    Peço licença para sugerir: 
    Não sejas tão seletiva, 
    Pois quem seleciona muito 
    Pode ficar sem ninguém!
    Se o passado deixou 
    Tua vida desorganizada,
     Deves pensar no presente, 
    Pois ele é o relógio certo desse momento!
    Mágoas, decepções sempre Existirão... 
    Mas tu com tua força, 
    Deverás entender: 
    Quando um amor assume partida, 
    Outro já está a chegar!
    Se o medo chegar de mansinho, 
    Mandas esse inimigo ir para longe
     Bem distante de ti... 
    Procuras viver tua vida , 
    Da melhor forma possível...
    Pois quem não se arrisca nesta vida, 
    Passa por ela sem perceber!



    Dois amigos...

    Não há distância que torne impossível 
    Dois amigos de se encontrarem... 
    Não há culturas diferentes, países 
    Que impeçam dois amigos de se entenderem.
    Assim é nossa amizade... 
    Construída aos poucos com alicerces 
    E paredes que ninguém pode derrubar: 
    Alma de poetas no desafio de exteriorizar 
    Os confrontos que surgem com o decorrer da idade.
    Abre-se uma janela para o diálogo começar... 
    Das proezas da vida ficamos a sorrir, 
    Embora o sorriso muitas vezes 
    Seja difícil de demonstrar.
    Bandeiras diferentes que apontam 
    Para uma linguagem em comum... 
    Se usamos o "tu" ou "você", não importa: 
    O essencial é o respeito e o carinho a se preservar.



Asas da imaginação


Passei a observar as plantas de uma casa:
Lá, o beija-flor é sempre frequente...
Linda imagem, riqueza de inspiração!

Ele voa e sobrevoa a imensidão do espaço...
Água é oferecida a ele... percebe-se o carinho
Que se tem por ele!

O vai e vem dele espanta pensamento negativo...
De tal rara beleza dessa criação!
Quem é ele? O pássaro das flores:
O que não se cansa de voar e de beijar!

Um dia, coração estava apertado...
E ele trouxe a alegria da vida em abundância...
Vai passarinho, joga fora toda solidão!
  




Infância

Da infância lembro da minha casinha velha...
Do fogão de lenha, do ferro à brasa,
Das minhas bonecas de pano,
Da brincadeira do anel!

Da infância também lembro de que fui muito pobre,
Porém nunca violei o alheio.
Da infância lembro, das brincadeiras de roda!

Da infância lembro do carinho dos meus pais...
Da dedicação da minha mãe para eu estudar.
Da infância lembro, que a tecnologia era diferente de hoje,
Pois eu não tinha uma televisão para assistir.

Da infância lembro que jamais imaginei ter um computador
Para digitar meus poemas...
Tudo isso era longe e impossível...
Usava a máquina de datilografia.

Da infância lembro que uma criança precisa ser livre...
Ser respeitada e muito amada!
Da infância lembro de quase tudo,
Menos do tempo perdido!





MILAGRE



Milagre é acordar e sentir a vida florescer:
Plantas, flores, animais correndo... eu vivendo!
Milagre é o dom que todos têm:
Na arte, na vida, na dinâmica do cotidiano!

Milagre é ter amigos e família...
Milagre e sorrir quando tudo parece perdido!
Milagre é o desabrochar do novo... mesmo que assuste!

Milagre é o ato de amar uns aos outros..
Longe do ódio, da mágoa, da desilusão!
Milagre e sentir a presença de Deus,
Embora às vezes sozinho!

Milagre é cantar, louvar, correr na chuva!
Milagre é a própria vida jamais desperdiçada!
Milagre é o nosso encontro aqui ou ali... não importa...
Milagre é o impossível acontecer!





ESTRELA



FAZEMOS PARTE DE UM CONSTELAÇÃO
OU DE DETERMINADA CRIAÇÃO:
SOMOS A ESTRELA DE DEUS
CUJO AMOR NÃO TEM DIMENSÃO!






A valorização do ser humano 
passa em primeiro lugar 
pelo amor a si mesmo. 
 


 









 

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JAIRTON JURINICH
 
 
Menina de Boa Viagem


Horas vagas...vago pela orla
observo as belezas do lugar
minha alma inquieta me compromete a procurar
e me empurra ao teu encontro
...hoje ainda não conheci você

Imagino-a... errando pelas calçadas
procurando um amor disponível
pronta a ser arrebatada por um acaso
seria fácil para mim...
facilmente também te esqueceria

Volto outro dia à orla para te ver
Menina, mulher de Boa Viagem!
tua silhueta encanta todos os olhos
eu...me junto prá te admirar
O que levas na alma?
não importa ...ÉS BELA

E passas diversas vezes
Quase sinto o frescor de tua pele morena
Elogio...o teu modo travesso
o sorriso brejeiro, fácil e arrebatador
Desejo agarrar teus cabelos revoltos

Procuras alguém especial, soube...
Que é vacinada contra tipos como eu
...que é a rainha da areia, do sol, do mar.
O ímpeto desvanece como a tarde de verão
resta-me então a noite prá te procurar

Voltei um dia somente para te ver
Peguei suas mãos entre as minhas
você ficou e sorriu para mim
e foi com teu sorriso que alimentei uma paixão...

Um amor que durou até o saciar da minha sede,
esta doce bebida chamada ILUSÃO.



Estrela

Saber-te-ei como estrela distante,
que esperando meu olhar a fitá-la
atravessa dias e noites
misturada neste cosmo pulsante.

Também sei, que me olharás pela vida
nos espectros do tempo,
no teu régio pulsar de energia,
esta força é em mim sentida.

Distante luz, consigo vê-la
fluídica no caos galáctico,
com seus emanares noturnos de amor...
_És o meu cruzeiro no céu, minha ESTRELA ...guia!




Almas



Ao anoitecer...elas se aproximam
perseguindo a minha...

 Eu, afundo na noite.
Almas escuras, belas no sorriso e na cor
quero possuí-las, mas sou dominado
Deixo...para ver até onde vai minha insensatez
Talvez exorcizem o meu lado negro
...anestesia dos sentidos!

A crisálida não morre para a borboleta?
...troca da casca, RENASCER...
mas ás vezes ressurge como mariposa
...num circular eterno, na luz artificial
busca de ilusão, fugaz prazer...

Me aproximo do meu lado bom
talvez o destrua para sempre
e o carregue para a escuridão...
Minha alma está no caos espiritual,
e espreme no peito o coração.
Noite insone... tamanha solidão!

Jairton/03 Fev 2002/ (poema intimista)






Sonho com Fênix


............Acordo, você existe,
não foi sonho ou alucinação
ainda sinto teus cheiros
e aquele contato com tua mão
que agora já se desvanece,,,
_fragilidade da paixão!

Tão longínqua vais ficando agora
perdida...nalgum espaço temporal
nossos momentos na lembrança,
nesse meu distúrbio mental...
noutro sonho te buscarei, meu amor transcendental.




Recife

Nos arcos de um casario
d'uma arquitetura sobrevivente
ou nos rastros rasbiscados de um bondinho
refletindo um outrora glorioso
como uma paisagem de painel a óleo
cenário pronto para um filme antigo
Zona do porto, orda de marujos
E as "Polacas" no teatro da vida
Eu ainda as vejo ...nas varandas/
nos carnavais de outrora
no Recife Antigo

Hoje céu nublado
vento fresco e salgado
o povo escuro num labor em frenesi
no comércio alucinado
Alto brado, Afogados/
camelôs em agonia e profusão, São José/
Boa Viagem, Candeias, Piedade...
Outras terras, outras gentes, gostei!

O verde do mar
A moldura deste quadro
Com certeza é a causa de tudo
do povo miscigenado
seminu e alvissareiro
da paisagem bela e da leveza do viver
do turista aleatório
avermelhado tolo
das velas, do peixe e..
do côco
Das piscinas azuis,
recortadas de corais...
das espumas nos arrecifes...
AH! RECIFE!!!!

Candeias/ Abril 1999/ Jairton




AVENIDA FUTURO

Jairton Jurinich

> >> Dois olhos assustados, lindas amêndoas
> >> os cabelos lisos escorrem no ser pequenino
> >> descalça tiritante no canteiro da avenida
> >> se aproxima trôpega com seus grandes olhos
> >> no teatro do sinal encena a peça
> >> A equilibrista do meio fio
> >> mão espalmada só escuto TIO
> >> fecho o vidro com um sinal de não, aumento o volume
> >> a água retoma seu leito, da hoje Avenida Copacabana
> >> enfrento o seu rio
> >>
> >> Navego cuidadoso até o próximo sinal
> >> Outros meninos, outras mãos, mesmo olhar
> >> porque eles têm os olhos tão grandes
> >> e a menina, sete, oito, a me estender a mão
> >> retirante da seca ou herdeira dos viadutos
> >> Seis horas. Ave Maria. Paz no coração
> >> Chove no Recife enchendo os lares no mangue
> >> empurrando seus moradores para as calçadas e marquises
> >> um batalhão descalço engrossa as fileiras dos desesperados
> >> ultrapasso seus pedidos e os entulhos de plástico nas ruas
> >> deixo para trás o problema de outros infelizes
> >> lembro da menina e de seus olhos marejados
> >>
> >> Escurece rapidamente
> >> na curva avisto o espelho do mar
> >> os faróis não incomodam o seu adormecer
> >> a chuva fraca parece carícias na sua face salgada
> >> soberano permanece imune às aflições humanas
> >> bate com força nos arrecifes e estoura
> >> os sais que trazem lembranças da mãe africa
> >>
> >> Menina... Que cresça logo e a minha culpa será menor
> >> és tão pequena que quase passas despercebida
> >> amanhã abrirei o vidro para você
> >> só o sinal que deverá estar fechado para mim
> >> ou terá que ficar para outro dia este ato de amor
> >> afinal...você sobrevive desses gestos ao acaso
> >> e foi só por acaso que lhe avistei em meio a chuva
> >> Ora menina! Cresça... Terás mais chance em outras avenidas.
> >>
> >>
> >> Recife – Maio de 2002
> >> Jairton Jurinich
(Uma menina que pedia trocados num sinal em Recife PE)

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