DEA COIROLO / FERNANDO PESSOA

 


 DEA COIROLO 




MANDACARU - POEMA
Maduro candelabro
ereto
no deserto
após a chuva quente
resplandece
alva seda estelar
em flámulas pequenas
ao longe pinceladas,
abrem-se leves
brancuras perfumadas
ares densos que assombram
o pedregal
que sou
            -em susssurros de brisa
            circulam meus anseios,
            aromas entre pedras
            enredando o desejo
agônico
de ti.
Insubstancial.
                   Mandacaru da serra...
Morre e floresce em ciclos.
Imito-lhe.
@[100003057997896:2048:Dea Coirolo] (Cy)2013.Gravatá-PE.
MANDACARU - POEMA

Maduro candelabro
ereto
no deserto
após a chuva quente
resplandece
alva seda estelar
em flámulas pequenas
ao longe pinceladas,
abrem-se leves
brancuras perfumadas
ares densos que assombram
o pedregal
que sou
-em susssurros de brisa
circulam meus anseios,
aromas entre pedras
enredando o desejo
agônico
de ti.
Insubstancial.
Mandacaru da serra...
Morre e floresce em ciclos.
Imito-lhe.











FERVE O SERTÃO NORDESTINO
A MAIOR SECA DO ÚLTIMOS 60 ANOS
 
  



 
 

Foto: ENTRE DOS 
Poema de Dea Coirolo©®







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FERNANDO PESSOA 


 
Poemas dos Dois Exílios
 
 
Análogo começo
 
 
Análogo começo. 
Uníssono me peço. 
Gaia ciência o assomo — 
Falha no último tomo.   
Onde prolixo ameaço 
Paralelo transpasso 
O entreaberto haver 
Diagonal a ser.
E interlúdio vernal, 
Conquista do fatal, 
Onde, veludo, afaga 
A última que alaga. 
Timbre do vespertino.
Ali, carícia, o hino O
utonou entre preces, 
Antes que, água, comeces. 



Doura o dia. Silente, o vento dura
 
 
Doura o dia. Silente, o vento dura. 
Verde as árvores, mole a terra escura, 
Onde flores, vazia a álea e os bancos. 
No pinal erva cresce nos barrancos. 
Nuvens vagas no pérfido horizonte. 
O moinho longínquo no ermo monte. 
Eu alma, que contempla tudo isto, 
Nada conhece e tudo reconhece. 
Nestas sombras de me sentir existo, 
E é falsa a teia que tecer me tece. 



Uma maior solidão
 
Uma maior solidão
Lentamente se aproxima
Do meu triste coração.  
Enevoa-se-me o ser
Como um olhar a cegar,
A cegar, a escurecer.
Jazo-me sem nexo, ou fim...
Tanto nada quis de nada,
Que hoje nada o quer de mim.
Fernando Pessoa, 23-10-1931



Poesias Inéditas

O céu de todos os invernos


O céu de todos os invernos 
Cobre em meu ser todo o verão... 
Vai p'ras profundas dos infernos 
E deixa em paz meu coração! 
 Por ti meu pensamento é triste, 
Meu sentimento anda estrangeiro; 
A tua idéia em mim insiste 
Como uma falta de dinheiro. 
Não posso dominar meu sonho. 
Não te posso obrigar a amar.
Que hei de fazer? Fico tristonho. 
Mas a tristeza há de acabar. 
Bem sei, bem sei... 
A dor de corno 
Mas não fui eu que lho chamei. 
Amar-te causa-me transtorno, 
Lá que transtorno é que não sei... 
Ridículo? É claro. E todos? 
Mas a consciência de o ser,
fi-la bas-tante clara deitando-a a rodos 
Em cinco quadras de oito sílabas.  

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
O Amor
 
O amor, quando se revela, 
Não se sabe revelar. 
Sabe bem olhar p'ra ela, 
Mas não lhe sabe falar. 
 Quem quer dizer o que sente 
Não sabe o que há de *dizer. 
Fala: parece que mente 
Cala: parece esquecer 
Ah, mas se ela adivinhasse, 
Se pudesse ouvir o olhar, 
E se um olhar lhe bastasse 
Pr'a saber que a estão a amar! 
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente 
Fica sem alma nem fala, 
Fica só, inteiramente! 
Mas se isto puder contar-lhe 
O que não lhe ouso contar, 
Já não terei que falar-lhe 
Porque lhe estou a falar...



Glosa
 

Minha alma sabe-me a antiga 
Mas sou de minha lembrança,
Como um eco, uma cantiga.

 Bem sei que isto não é nada,
Mas quem dera a alma que seja
O que isto é, como uma estrada.

Talvez eu fosse feliz
Se houvesse em mim o perdão
Do que isto quase que diz.

Porque o esforço é vil e vão,
A verdade, quem a quis ?
Escuta só meu coração.




Glosas
 
Toda a obra é vã, e vã a obra toda.
O vento vão, que as folhas vãs enroda,
Figura nosso esforço e nosso estado.
 
O dado e o feito, ambos os dá o Fado.
Sereno, acima de ti mesmo, fita
A possibilidade erma e infinita
De onde o real emerge inutilmente,
E cala, e só para pensares sente.

Nem o bem nem o mal define o mundo.
Alheio ao bem e ao mal, do céu profundo
Suposto, o Fado que chamamos Deus
Rege nem bem nem mal a terra e os céus.

Rimos, choramos através da vida.
Uma coisa é uma cara contraída
E a outra uma água com um leve sal, 
E o Fado fada alheio ao bem e ao mal.

Doze signos do céu o Sol percorre,
E, renovando o curso,  nasce e morre
Nos horizontes do que contemplamos.
Tudo em nós é o ponto de onde estamos.

Ficções da nossa mesma consciência,
Jazemos o instinto e a ciência.
E o sol parado nunca percorreu 
Os doze signos que não há no céu



Um comentário:

Gravatá Dea G. Coirolo Antunes disse...

Que decir?Gracias.Un abrazo al corazón charrúa.Estoy conmovida con la publicacion de ese pequeño poema,"Ferve o sertão".Dea Coirolo.