CLODOALDO TURCATO / GIZELE TAVARES

CLODOALDO TURCATO

 

São Paulo, o exílio nordestino


“Voltei Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço”
Todas as voltas eu escrevo esta introdução de Capiba, e não canso de ser repetitivo, em ritmo de frevo.
Do tempo que estive em Diadema (não São Paulo, que amo), nunca tinha sentido tanta aversão a um grupo de cidades como as do ABCD paulista. O coração industrial brasileiro exala capital e o mal de suas consequências. O capital brasileiro é mantido basicamente pela mão-de-obra de Nordestinos tristes – o ABCD é um exílio Nordestino. Seguindo para Osasco, Guarulhos, Embu das Artes, Barueri, etc, o panorama é o mesmo: favelas por todo lado, apinhada de trabalhadores nordestinos em sua maioria, morando em barracos mal feitos nas encostas e o centro tomado por casas de luxo dos burgueses.
A cidade de São Paulo deu-se ao luxo de excluir para sua periferia, reservando o suprassumo para descendentes de  italianos, chineses, japoneses, judeus, turcos, franceses, alemães, argentinos, árabes, ingleses, alemães... São Paulo tem seu apartheid causado pelo elevado custo dos imóveis, alugueis e manutenção geral da região central.
O Nordestino só se sente digno em sua terra. Noutros cantos ele se verga. Ao contrario do sulista que onde chega é pra explorar, o Nordestino chega pra ser explorado, implorando por trabalho, um barraco... pão – que brutal diferença de culturas! Não se vê em São Paulo Nordestino falando alto.
A sina do sertanejo sempre fora abandonar sua terra para não morrer de fome. Gerações inteiras de retirantes foram inchando os centros paulistas e fluminenses, criando cidades tomadas de gente que se espreme em pequenos quartos de madeirite. E destas gerações, as famílias perderam parte da característica Nordestina, assumindo as gírias próprias das periferias, com características desqualificadas. Hoje são paulistas que não sabem outra vida que não esta. Aos mais velhos restam saudades e familiares distantes, num cenário muito mal retratado pela imprensa e cinema. O Nordeste nunca foi somente seca, nem local de gente ignorante. O Nordeste sempre foi um manancial de gente ferrenha, artistas medonhos e possibilidades. O capital percebeu isso  e está investindo aqui.
Nunca me senti tão em casa como agora. Feliz por respirar este ar, sentir o calor até as entranhas e o vento acariciando meu rosto;  ver a pele morena das moças desinibidas e os “oxentes” dos rapazes fagueiros.
Tomei fôlego e após o fascínio do carnaval, resolvi me homenagear nesta quarta-feira de ressaca pelo final do frevo e algumas biritas que tomei em comemoração. Aqui me integro, me sinto gente, ergo a cabeça – estou em casa.
 
 
 
 
 
GIZELE TAVARES
 
 

UMA POESIA PARA UM POETA DAS ARQUITETURAS


Não direi adeus,
104 anos de marco
não apenas brasileiro
mas do mundo estrangeiro
em cada passo desse chão
Oscar Niemeyer vive
no toque de suas mãos
na visão: erguida construção


POESIA DE GIZELE TAVARES
LIVRO LUA PEDRA QUE FLUTUA.

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